Affichage des articles dont le libellé est Portugais. Afficher tous les articles
Affichage des articles dont le libellé est Portugais. Afficher tous les articles

vendredi 23 octobre 2020

Tropicalia Worldmusic: Big Exit

`

Após meses de ausência do podcasting, a equipe da Tropicalia Worldmusic hesitou por um longo tempo antes de retornar à rede e publicar o programa Radio que pertence por contrato a Radio Judaica Belgium. Não que escutar os sabores do mundo seja prejudicial, pelo contrário, mas este programa, que é seriamente pensado e produzido, começa na mente de homens e mulheres, e nas suas emoções. E oferecer este programa a você em um contexto que não seria 100% devotado e dedicado ao tema deste programa que, entre nós, tem mais de 30 anos, talvez não fosse eticamente honesto. Mas chega que é hora de mergulhar !! Afogemo-nos num banho de andorfina e dir-se-á que a Arte em todas as suas formas nos salvará das trevas, como sempre tentou fazer e continuará a ser mais do que nunca !!! Razão pelas notas, harmonias e ritmos do mundo! E lugar para artistas mártires de momento, mas que apesar de tudo, nos devolve as cores dos países que vão direto para o inverno, e refresca quem, sob o calor, te refresca como a cada criança! Vamos tocar a música e dançar ... ou cantar, nesse programa de outubro com Após meses de ausência do podcasting, a equipe da Tropicalia Worldmusic hesitou por um longo tempo antes de retornar à rede antes de publicar o programa Radio appartement por contrato com a Radio Judaica Belgium. Não que escutar os sabores do mundo seja prejudicial, pelo contrário, mas este programa, que é seriamente pensado e produzido, começa na mente de homens e mulheres, e nas suas emoções. E oferecer este programa a você em um contexto que não seria 100% devotado e dedicado ao tema deste programa que, entre nós, tem mais de 30 anos, talvez não fosse eticamente honesto. Mas que caralho !! Afogemo-nos num banho de andorfina e dir-se-á que a Arte em todas as suas formas nos salvará das trevas, como sempre tentou fazer e continuará a ser mais do que nunca !!! Razão pelas notas, harmonias e ritmos do mundo! E lugar para artistas mártires de momento, mas que apesar de tudo, nos devolve as cores dos países que vão direto para o inverno, e refresca quem, sob o calor, te refresca como a cada criança! Vamos tocar a música e dançar ... ou cantar com, dessa vez: PJ Harvey, Thin Lizzy, Tom Jones, Chic, Vêronica Ferriani, Chico Saraiva, Paulo Flores, Van Halen, ZZ Top, Stevie Wonder, Norah Jones, Blind Boys from Alabama, Jools Holland, Gabrielle, Paul Weller, Hal & Oates, Mayra Andrade, Lu Oliveira, AC/DC, Sister Rosetta Tharpe

 

!! !!

jeudi 22 octobre 2020

Jeff Lynne: o dom de saber onde começa o kitch para evita-lo



Boris Casoy, como outros "informantes", as informações" em duas velocidades" há décadas (ph. Internet)

 Ah, aquele famoso “jornalista crítico artístico”!! Nem quis mencionar especialistas em outros assuntos, digamos mais sérios, especialistas políticos ou judiciais. No Brasil, já faz décadas que eles desenvolveram um método exclusivo de processamento de informações. Jornalistas renomados contam um fato diante da câmera. Naquele momento, é ainda a 'notícia' objetiva, o fato sem emoção, enfim, o que o profissional transmite bem na cara do telespectador, sem um tremor que traísse um arrepio de humanidade.
É com essa câmera que fica à sua frente que ele se comunica, como acontece diariamente no Norte da Europa. Só que, de repente, uma outra dessas máquinas, que sutilmente se aproximou a 90 ° do profissional dos eventos alegres de nosso do belo mundo - e que ninguém suspeitou, - exceto o locutor -, desempenha um papel que destrói as atas de notícias neutras anunciadas anteriormente. Esta câmera parece mais íntima que a anterior. Ela é a confidente a quem o mestre de cerimônias dá sua opinião despojada, que sua longa profissão supostamente lhe concede como a credibilidade de trinta ou quarenta anos de trabalho. Ja não tem mais fatos, mas respostas dum inquérito que nem começou. Você está tendo problemas para me seguir? Imagine que um Boris Casoy (exemplo) anuncia que o orçamento da educação do país este ano foi mal avaliado, deixando os fundos vazios 6 meses antes do previsto. De repente, ele se vira para a câmera cúmplice, com olhar conhecedor e a voz que não esconde suspeitas, indicando ao cidadão que é isso que acontece quando os homens de poder confundem os bolsos do Estado, e os de seus ternos de três peças.
Admito que fiquei de queixo caído para acreditar nesse método há muitos anos, mas como tudo, e com o tempo, a gente não se surpreende mais. Bom, vamos em frente... Como disse, odeio esses termos: "Crítica de arte". Você nunca vai ouvi-los sair da minha boca (o que é quase tão sensual quanto Elvis conseguiu levantar o lábio superior esquerdo. Eu odeio aquele cara do Tupelo!). A expressão "colunista artístico" é muito mais adequada, enquanto o "jornalista crítico", faz exatamente o contrário do que se imagina, ser o jornalista imparcial.

Os países do sul, onde a personalidade humana é mais emocional, têm dificuldade em dar um fato, com o máximo de detalhes possíveis, em um mínimo de tempo. Por outro lado, compreenderemos que nunca pediremos ao “cronista artístico” (sim, ao “crítico artístico”) que seja objetivo, bem pelo contrário. E se houver um indício de controvérsia, fecharemos os olhos. Conclusão trivial: existem vários jornalismos. Eu sei, é um clichê que tenho vergonha de lembrar, mas de fato, não são os mesmos empregos.
A internet foi uma virada de jogo, como se sabe, já que qualquer um pode blogar e dar sua opinião (e há alguns excelentes!), Mas se os bons salários dessa nobre profissão, o jornalismo,  são lembranças antigas, mas sempre fui confiante em seu futuro. A multidão das criações, a soma da questão artística sendo - sim, sempre através da rede - incomensurável, o jornalista voltará para você a seu pedido, uma vez que a cultura não vem mais em seu meio audiovisual ou televisual, mas é preciso você e eu procura-lá e é aconselhável não ser preguiçoso, se a qualidade tem ainda um significado para o consumidor. Podemos esperar que o cidadão precisa de alguns guias para mostrar qual caminho seguir na direção que vocês buscam.

Veja meu exemplo: estou na melhor posição para falar com base em minha humilde experiência. Eu participei de uma revista famosa quando tinha 19 anos. Mas o que eu sabia aos 19 anos? O que eu estava ouvindo?
Felizmente, as gravadoras costumavam fornecer um monte de pastas e documentações, então nada escapou da minha atenção. Nisso eu já fui manipulado. Na verdade, nesta idade, era mais uma ajuda preciosa que poderia ter me pago a vergonha, porque estava mal informado.
Não ! O caminho a seguir é o seguinte. Ouvimos o disco, colocamos na discografia do artista, colocamos o artista e sua importância em seu nicho, colocamos o nicho em todas as centenas de gêneros ou subgêneros que a música popular nos oferece ( e que deveríamos antes conhecer bem, portanto ter ouvido), comparamos com o seu trabalho e o dos outros (e estou resumindo), e então sim, podemos arriscar dar uma opinião que pode ser pessoal, mas que se baseia em uma credibilidade de milhares de horas de audição, leituras (ou de inúmeros shows vistos). Mas aos 19 anos ... Francamente! Sejam sérios !! Por mais apaixonado você se mostra, falta ao amante a experiênça de vida, nada mais normal. 

Após 10 anos de música inglesa (UK, US), ou de língua francesa, seguiu dez anos de paixão e estudos sobre a MP brasileira e não faz muito tempo, tive que perceber que era mais a minha prosa, que havia sido aprimorada entre 1982 e 1992, do que o meu conhecimento da musica além da "Albion" (outro jeito de chamar a Inglaterra), quando falava da banda Sister of Mercy ou do mal estar existêncial de Ian Curtis de Joy Division
E até hoje, à medida que volto mais ao meu continente, meu conhecimento da música brasileira é muito superior. Por quê ? Em 1993, eu era 10 anos mais velho, e o que eu achava que sabia sobre minhas bandas ou artistas favoritos da minha adolescência sofreu com o que se chama a falta duma certa experiência vivida. O que ja signifiquei anteriormente.
Eu, Daniel, um formador de opinião, que pensava saber quase tudo sobre os Beatles, Queen, Bowie, Roxy Music, Curtis Mayfield, Motown, Marvin Gaye e assim por diante, percebi minhas deficiências abismais.
Hoje, com base nas minhas experiências, na minha paixão, nas minhas pesquisas e nos trabalhos que engulo em doses de 300 páginas diárias. Atrevo-me a dizer que fui um pouco trapaceiro?
Nosso conhecimento da obra dos Beatles é distorcido a uma extensão inimaginável. Ainda estou aprendendo sobre Paul, John, George e Ringo hoje...ou até Bowie do qual fui "presidente" do fã clube entre 79 e 82 na Bélgica (neste momento essa revelação desaparece de sua cabeça !!) Enfim, concluindo, um colunista musical ou artístico deve ter uma formação sólida. Se ele tem 30 anos ou 35, é o mínimo. E se ele tiver a sorte de ter noções musicais, como fundamentos de harmonia, composições, técnicas de estúdio, "dicas" para seduzir o amador mais sofisticado, esse é o melhor! Quis ter essas noçoes que antes de escrever ou passar nas ondas, eu também queria que as mulheres rasgassem minha camisa depois de fazer um riff bestial com minha Gibson, minha Les Paul ou minha Rickenbacker (antes de perceber que mais talentosos estariam na minha frente na fila !). Porque... Não! Não acredito na frase mil vezes ouvida “Nunca acreditei que este título fosse um sucesso, foi uma surpresa além das minhas expectativas”. Existe uma maneira de driblar os ouvidos com sequências de acordes que foram usadas milhares de vezes. Pergunte a Nile Rodgers, Ivan Lins ou Jeff Lynne, ou aos reis dos "riffs" como Dave Davies ou Keith Richards. Essa é a única coisa que posso perceber lendo meus colegas, mesmo melhores e sabidos do que eu. Eles caem nessas armadilhas, como quando você derrama uma lágrima, ao acaso, enquanto assiste a um filme romântico americano estrelado por Jennifer Lopez e Nick Nolte (exemplos, de novo) , isso mesmo blindados! Sim, vocês v
ão derramar essa lágrima! Porque a trilha sonora impõe isso a vocês, e so porque o astuto produtor o quis!

Se mencionei Jeff Lynne (até que enfim!), o brilhante compositor / produtor / cantor / músico, é que naquela época ele manipulava com elegância (e ousadia) todos os ingredientes que uma  "Escort girl" musical poderia usar para ser irresistível como um bolo feito de morango e chocolate, com a proeza de n
ão engordar...Quis dizer seduzir sem parecer vulgar. Não é gula, é gastronomia! . Existe uma receita para isso: mergulhe de cabeça na sedução, sem vergonha, e não brinque com armas pequenas. Ou você está morto! O que poderia ser mais kitsch do que misturar Chuck Berry e Beethoven, e isso em 7 minutos !! Só a ideia nos deixa nauseado.

Dave Davies (The Kinks), precursor dos riffs mortais, chave para o sucesso quase garantido? ("You Really Got me now", ou "All the Day and All of the Night")


Mas com Jeff e seu visual de cachorro molhado, tocamos mais uma vez a faixa na vitrola, sem vergonha, recolocando "Evil Woman", com esses três acordes de piano que não se aguentam mais, nem de longe, por terem sido usados demais em tantos "hits".
Foi pecado amar o Electric Light Orchestra quando rezamos ao mesmo tempo na capela de “Seveteen seconds“ de The Cure, ou quando para nos absolvermos das nossas fraquezas, ouvimos três“ Love will tear us apart ”e dois“ Hong Kong garden ” de Siouxsie and the Banshees, nas igrejas, que eram o santo Marquee ou O Clube 100 de Soho (famosa casa de show de Londres).

Por trás desses cabelos e desses óculos, esconde-se um mago da composição katchy e um produtor solicitado: Jeff Lynne. Mas é claro que havia mais do que isso. O cara sabia como usar compressores maravilhosamente em sua voz, que fazia malabarismos com harmonias vocais herdados dos Beatles ou dos Beach Boys, usando todos os efeitos técnicos para obter uma bateria mais pesada do que John Bonham (Led Zep), e riffs usados e abusados demais que eram simplerrimos para serem honestos ou genuinos ("Showdown", "Do ya", "Ma ma ma belle", e assim por diante). 

                           Paul Mc Cartney e Jeff Lynne, na época de "Anthology" (1998)

Como disse o artista, o que parece trabalhoso está fadado ao fracasso (à sua maneira), e o que nem é preciso dizer leva horas de pesquisa em seu saco de truques. Ouça os discos "A New World Record" (1976), "Out of the blue" (1977) ou "Discovery" (1979). Estude e entenda todos os ganchos, e você terá os ingredientes para a receita.
John Lennon indicou Jeff Lynne como o filho digno dos Beatles. E Paul, outro malandro gênial, legal e incrível, estava licitando dizendo, "o que você quer, você ouve uma faixa do Jeff Lynne, e você não pode lutar ... Funciona!" (como o filme americano)!
E se Jeff nao tem o visual de Slash ou de Iggy Pop, ele nao se incomodou a usar um simbolo duvidoso. Quantas bandas teriam quebrado seus dentes com tal emblema digno dos piores grupos de disco americano com esse circo voador beirando o ridículo? Todas!
Todas mas não Jeff Lynne de Birmingham, porque, como dizia, quando tem que jogar, é com fê! Assim o brinquedo nem era assunto de piada, que a gente foi os primeiros a embarcar. no navio celestial.
Em 1980, depois a sucessao dos discos citados, ele deixou as cordas e violoncelos, presenteou “All over the world” para Olivia Newton John (e Amaury Jr, sem querer), e se fundiu em um pop, que não conseguiu ter o brilho dos anos anteriores.
"Zoom" em 2001 é ainda um bom disco, mas o homem já tinha feito o seu trabalho.
Apenas Jobim, Lennon-McCartney, Miles Davies, Stevie Wonder ou Bowie não poderiam somente ter recorrido a essas armadilhas maliciosas, tao abertamente, embrulhando as musicas numa aproximação artistica, o mínimo que seria de esperar, falando de alienígenas.
O Jeff Lynne nao pode ser um "artista" no mesmo sentido, mas é um perfeito artis
ão, acima da multidão.


Jeff Lynne, a Traveling Wilbury's, com George Harrison, Roy Orbinson,
e Tom Petty (falta o Bob Dylan na foto)


Seja como for ... autocentrado, Bowie plagiou a si mesmo, e McCartney continuará sendo o druida que ressuscitará sempre quando temia que a hora de fechar a tumba chegava (ninguém comento mas "Egypt Station" do Paul em 2019, foi um dos melhores discos pop daquele ano!).
Ao revisitar o trabalho de Electric Light Orchestra, também comecei a ouvir The Traveling Wilburys, a "super banda" que nasceu duma piada, com Bob Dylan, Roy Orbinson, Tom Petty, George Harrisson e ele, Jeff.

"Handle with care" é uma cançao pop que vale sozinha as fraquezas dum álbum francamente mediano, exceto a voz divina de Orbinson, e quanto aos últimos discos nascidos do Jeff Lynne's Electric Light Orchestra (assim assinava ultimamente), "Alone in the universe" (2012) e "Out of Nowhere" (2019), apesar da boa crítica geral, é fraco, mas tenho a certeza que o artista o sabe. Ele lotou em 2017 o Central Park, e mais tarde, Wembley, sempre em Londres com 70.000 espectadores, em 2018, e poderia ter feito isso novamente no dia seguinte.
O pior é que o cara é muito simples, e de uma franqueza comovente, quando conta como conheceu George Harrisson, um dos "fab four", que ele vai produzir para "Cloud nine"(1989), seu melhor álbum depois "All Thing must past" (71); ou quando Mac Cartney o deixa mixar "Free as a bird", a demo que ficou nas gavetas de Yoko Ono. Ele não finge estar maravilhado e reage como um fã de olhos brilhantes, de ser parceiro dos seus idolos, não se esquecendo de salvar Harrisson da deriva, produzir Mc Cartney, ou compor para a antiga lenda Cliff Richard; trazer à tona Tom Petty de anos menos gloriosos; ou enfim dar uma nova vida a Roy Orbinson, com a travessura de um produtor discreto e silencioso, fazendo acreditar que a ideia nasceu na mente do seu atual protegido.

Um sonho acorrdado para usar as palavras de Jeff Lynne. Substituir John Lennon na foto, e ser o quarto Beatles, com Paul, George, e Ringo (1998)

Jeff Lynne tem so um grande problema. Ser letrista é um momento que ele faz a contra gosto. Não gosta de botar letras tristes, e so sabe escrever coisas positivas. O que é quase um fato único no clima de crise sem-fim que seja amoroso ou dum outro tipo. Jeff Lynne criou um Disneyland musical, e sei que se quisesse, ele poderia aplicar-se e lançar-nos um disco alegre como um arco iris, que é o seu mundo, que gostamos de cantar, porque ele admite que tem dificuldade, mesmo se esforçando, em descrever situações dramáticas.
Mc Cartney foi enforcado em 1976 com "Silly Love Songs", mas era Paul quem estava certo.
 

Jeff nos apresenta uma música como se apresentasse uma mulher sedutora, e sexy demais (como Rita Hayworth "power ten"), nos dizendo que o tempo fora está bom, que nenhuma nuvem aparece no horizonte, e é "Mr Blue Sky ”,“ Senhor bom tempo ”, que terá que ceder à noite antes de voltar”… Sim, é tudo! E esse continua sendo o título que associamos a ele com razão ... O que dizer depois disso. É uma vida que você não quer perder (“Living Thing”), quando aquela que assombra sua mente (“Can't get it out of my head”), deixa o lugar para aquela que vai trazer um pouco de amor na sua vida (“ Shine a little love for my life ”). Pois como ele disse: "Acabei de ouvir no rádio,:vai haver uma grande festa no mundo inteiro ("All over The World") ... Então vamos nessa Jeff, você não está sozinho como cantava Jacques Brel, e vão ser presentes 70.000 fãs de novo, onde você quiser, para reunir mais uma vez Beethoven e Chuck Berry!

samedi 10 octobre 2020

Tropicalia World music: Planet Queen

 Numa altura em que o surrealismo já não nos surpreende muito pelo seu "absurdo", esqueçamos a emoção que o mundo nos impõe, e confiemos nos sentimentos que a arte e, neste caso, a música nos provoca. Chega de procrastinar, e vamos começar a tentar sentir novamente a sensação de compartilhar, entre amantes de melodias, ritmos e harmonias. Para nos ajudar, vamos convidá-lo para este programa, talvez ainda em busca de orientação, com TODD RUNDGEN, MARC BOLAN, NACHAT UND NEBBEL, STROMAE, NENEH CHERRY, CRIOULO, THE STYLE COUNCIL, EMILIO SANTIAGO, ELVIS PRESLEY, SUZANNE VEGA, LEVEL 42, ADRIANA CALCANHOTTO, META META, NANDO REIS, NIK CAVE & THE BAD SEEDS, EDEN, ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA, EMILY HAINES, ELTON JOHN, U2, VAN HALEN

" width="100%">

dimanche 20 octobre 2019

Como um peregrino que não vê a linha do horizonte, Tropicalia Wold music, programa, nascido em 2003 nas ondas da Rádio Judaica, continua a sua longa marcha, e pára de vez em quando para vos fazer descobrir, ou voltar a recordar, algumas páginas musicais nunca gratuitas. Nesta nona edição, deixei-me guiar pelo acaso, e vejam como ele faz bem com: 

 THE CARS, THE FOO FIGHTERS, TWENTY ONE PILOTS, ANGEL OLSEN, NICK CAVE AND THE BAD SEEDS, CHARLI XCX, SOFT CELL, THE SQUEEZE, L’EPEE, THE CURE, GONG, LOST GIRLS, METRONOMY, WHISPERING SONS, LES TUEURS DE LA LUNE DE MIEL, U2, CHAZ JANKEL, PRINCE, FAT WHITE FAMILY

samedi 19 octobre 2019

«Bohemian Rhapsody» e «Rocket Man”, biopicos que fazem nascer outros




Sera que a biografia de Freddy Mercury levada no muito razoável filme «Bohemian Rhapsody» foi um gatilho, ainda que os biopicos musicais estejam em voga nestes últimos meses: Judie Garland, David Bowie (em negociação), Elvis Presley, e outros a serem filmados neste momento. É uma questão de gosto pessoal, mas raramente me surpreendi positivamente com o gênero principalmente nas telas. Tendo assistido a «Bohemian Rhapsody», há alguns meses, esperei para assistir a «Rocket Man», a biografia de Elton John, supervisionada por este último, para comparar dois ângulos do género cinematográfico. 


 cena do filme "Bohemian Rhapsody", Freddy Mercury (Rami Malek) em 1974

E, de facto, estamos perante duas abordagens diametralmente opostas de histórias de vida. Nas duas biografias, para os puristas, os erros são numerosos, mas esse é o mínimo dos problemas. Afinal de contas, tanto para um como para o outro, trata-se de filmes de consumo para os quais pouco importa saber se as canções são interpretadas na época certa. 


Rami Malek com os verdadeiros Brian May e Roger Taylor

Outro facto importante é o facto de que «Rocket Man» foi realizado durante a vida de Elton John, sob a sua direcção, enquanto «Bohemian Rhapsody» foi concebido 17 anos após a morte de Mercury, sob o olhar intransigente de Brian May e de Roger Taylor, guitarrista e baterista de Queen. Até lá, nada pode influenciar a qualidade dos filmes. 

Confesso que o desempenho do actor Rami Malek no papel de Freddy Mercury tem o mérito de ser de alguma moderação, e mesmo que a personagem não possua o carisma do mítico cantor de Queen, a performance reside na sua gestual no palco, impressionante no famoso palco do «Live Aid», que se impõe como o tempo forte de um filme que não procura ultrapassar um estilo bastante realista, centrada principalmente nas relações importantes que o compositor entrelaçou ao longo da sua vida com personagens que contarão para ele. 


 20 minutos que mudaram o  rumo de Mercury (aqui Rami Malek) no Live Aid de 1985

Os músicos atores seguiram também à letra os conselhos de May e Taylor, enquanto o baixista John Deacon não participou na elaboração do filme. Em resumo, para um público que não é suposto conhecer a vida do grupo, Bryan Singer conseguiu fazer uma biografia humana, sem abordar uma abordagem demasiado sofisticada. Se «Bohemian Rhapsodie» termina em 1985, antes da doença de Mercury, o realizador evita as inevitáveis cenas de pathos que teriam ocasionado a última linha reta do cantor atingido pelo aids. 
Ele preferiu terminar o biopic naqueles 20 minutos em Wembley, que foram de uma importância crucial para o grupo que estava começando a desintegrar-se. Foram necessárias estas 5 canções (visíveis no Youtube) para cimentar de novo as relações dos músicos e prolongar a vida da banda até à morte do cantor em 1992. 



«Rocket man», o biopic de Elton John do realizador Dexter Fletcher situa-se numa outra categoria. Se «Bohemian Rhapsody» se concentrava mais nos laços humanos que Mercury mantinha na sua vida privada, a biografia de Elton insiste (Taron Egerton no ecrã) na dificuldade de relacionar-se com a sua família, desde a sua juventude, mas narra sobretudo a dezena de anos em que o cantor perdeu o controlo da sua vida, perdido numa solidão, e se afogou em todos os tipos de substâncias destruidoras das quais conseguiu escapar. 

 Tager Egerton, ou Elton, depois de ter dominado o mundo pop, perde o controle da sua vida

Uma vitória que é simbolizada pela paródia do clipe de «I’m still standing», período de renascimento do compositor. De fato, a parte musical da vida de Elton passa para segundo plano, e as canções que formam a banda sonora baseiam-se no período 1972-1975, quando 5% do mercado do disco funcionava graças ao compositor de «Your song». Em sua autobiografia Elton escolheu a fórmula do musical, com sua dose voluntária de surrealismo, misturando alucinação e realidade, de acordo com o desejo do cantor. Os atores podem cantar a cada instante, combinando com o lado mais cinematográfico, mais glamouroso mas sem concessão, com o risco de se cansar ao fim de 90 minutos. 


 Elton John e seu companheiro, em Canne: apresentaçao de "Rocket Man", 2019

E, de fato, é isto que o espectador sente, na sequência de uma falta de referência no tempo, cenas repetitivas em que o artista se perde nos seus excessos, e, «happy end» (verdadeiro, dito) conseguido. No fim, reencontra a consciência do seu talento e o caminho da sua vida graças a uma abstinência ainda seguida nos nossos dias. Esta luta de dez anos, que Elton John finalmente derrotou, aparece como a sua verdadeira vitória na sua vida, como gosta de recordar em cada concerto como aquele que vi em Lille (França), há alguns meses. 

lundi 14 octobre 2019

Tropicalia World Music 8: Beauty!

Como um peregrino que não vê a linha do horizonte, Tropicalia Wold music, programa, nascido em 2003 nas ondas da Rádio Judaica, continua a sua longa marcha, e pára de vez em quando para vos fazer descobrir, ou voltar a recordar, algumas páginas musicais nunca gratuitas. Nesta oitava edição, deixei-me guiar pelo acaso, e vejam como ele faz bem com: WILKO JOHNSON, FATS DOMINO, THE FOO FIGHTERS, THE FIREMAN, FRED MARTINS, GABRIEL O PENSADOR, LULU SANTOS, GEORGE MICHAEL, ASTRUD GILBERTO, GARY NUMAN, GRACE JONES, IAN DURY & THE BLOCKHEADS, JERRY HARRYSSON, HEAVEN 17, THE JAM, IGGY POP, SIOUXSIE AND THE BANSHEES, JOE JACKSON, JOAO DONATO, ISABELA TAVIANI, GORILLAZ c/ GEORGE BENSON, JACKSON DO PANDEIRO

jeudi 10 octobre 2019

Uma pequena reflexão após o post anterior…



 O Box set vinyl "The Cure 40 live"

Para fazer concorrência aos vinis de época, e para tentar aumentar a percentagem de venda do antigo meio e dar seguimento ao actual entusiasmo no mercado do LP, um produto pouco difundido no passado, o «box set», objeto luxuoso que pode homenagear um disco que marcou a história da música popular (aumentado de versões diversas e desconhecidas), ou simplesmente a discografia completa de um grupo ou de um artista, se multiplicou de forma significativa. O «box set vinyl» tem uma aparência diferente, ou seja bem mais "glamour", da caixa de CD. E depois, por vezes, permite-nos encontrar as grandes bolachas que vendemos por quase nada em benefício do Cds, no início dos anos 80, convencidos de que a evolução técnica era irreversível. Era esquecer que o homem nem sempre está à procura da última inovação, mas que pode existir um laço afectivo de outro tipo, encravado em nós. 

 "The Twins sofas", Philippe Starck, anos 80's

Um exemplo vem-me à mente, mesmo que nos afaste do mundo musical. Na Europa, por volta de 1985, houve uma onda de design e decoração de apartamento muito techno, como a proposta pelo suíço Philippe Starck. A decoração era bastante minimalista, dominada pelo preto e o branco que cobriam móveis com formas pouco sensuais, com aspecto impessoal, com ângulos marcados, mas onde a curva era discreta. As paredes davam lugar a quadros abstractos, na maior parte das vezes. Uma desumanização, da qual o seu humilde jornalista sucumbiu, por gosto, mas sentindo rapidamente uma espécie de falta, e limites. 


 Apartamento com design bastante comun na Europa, em torno de 1985

 Alguns anos mais tarde, num mundo onde o calor humano também conhecia um arrefecimento climático contínuo, assistiu-se a um ressurgimento dos móveis de madeira rústica, adornados por vezes com falsas patinas criadas no momento. E a luz e a cor voltaram a prevalecer no ambiente. Precisamos também que os objetos nos transmitam conforto, porque afinal vivemos nestes cenários, e a vida não é um filme que acontece em 3025. Este minimalismo e esta frieza, sinónimo de «ser antenado» e a par do que se procura ultimamente, afectava tanto a moda como outros domínios. Tendo trabalhado em galeria naquela época, o conceitualismo, o minimalismo, e outras artes cerebrais eram as obras a possuir. Mas, por volta de 1989, as grandes salas de vendas de arte mundiais assistiram ao regresso do coleccionador à pintura tradicional, ao impressionismo, ao fauvismo, ao expressionismo, restituindo ao humano, um lugar que só queria deixar no tempo de uma experiência. 

Voltando ao post anterior, foi quase por acaso, ao reescrever os 12 álbuns da Siouxsie and the Banshees, que percebi que cada álbum tinha uma capa cheia de vida, no design puro, muitas vezes de cores vivas, quase um paradoxo para uma música escura, muitas vezes tonal, que teria combinado com capas tão lúgubres como a de outro grande grupo gótico, Bauhaus. Siouxsie and the Banshees tinham conseguido unir ambiente glacial com calor de suas belas capas, sem que ninguém comentasse este paradoxo. Por fim, ainda em relação ao post anterior, a impressionante capa de «Claypool Lennon Delirium», sobre duplo vinil rosa, não a torna um disco superior pelo seu belo design iconográfico. Mesmo que, inconscientemente, a embalagem nos influencie, quer queiramos quer não. Não nos iludamos, a música terá sempre a última palavra. 


 "The sky's gone out": Bauhaus




 Capa da obra prima "Juju" de Siouxsie, influência tribal

E quem diz que o ritual que envolve o vinil não terá falta de ar. Acho que ele não vai desaparecer, mas pensar que o MP3 vai dar-lhe espaço é uma doce ilusão. O digital ainda o ultrapassará de longe por razões económicas, mesmo que a venda da música diminua no seu conjunto. Quanto ao CD, não é dito que desapareça, mesmo que a sua venda se desmorone. Não há razão para ele não ter um lugar e cada tributo tem o seu. E quem sabe, não imaginamos a paisagem da audição musical daqui a cinco anos.


mardi 8 octobre 2019

Escutando: Strummer, Claypool-Lennon, Siouxsie

Joe Strummer: Box «001» 
 Lançado no final de 2018, a caixa de vinis «001» de Joe Strummer (1952-2002), podia prometer algumas surpresas agradáveis. Os 3 discos (mais um título com Mick Jones, «U.S. North», inédito e assinado com o seu companheiro do The Clash), retoma o que o guitarista rítmico dos quatro londrinos gravou antes do primeiro álbum "The Clash" (1977). Outras gravações inéditas são enlatadas com o seu primeiro grupo, The 101ers, outras a solo, entre 1975 e a data do seu desaparecimento. 
Também o box revelam cançoes onde ele  esta acompanhado  pelos membros de The Latino Rockabilly War, ou The Mescaleros, além de outras participações em vários projetos, todos escolhidos entre os arquivos pessoais de Strummer. 
Infelizmente, não são necessárias duas escutas para nos desiludirmos com a banalidade dos títulos, que vão de um rock bastante fraco, alguns ritmos mais exóticos, até uma incursão na country music pouco enpolgante. Uma caixa para fã que me faz dizer que o outro franco-atirador social da época Thatcher, Paul Weller (The Jam), foi muito mais prolixo e regular (e continua a sê-lo), e que se Strummer era puro adrenalina no palco, bastante simpático e racional em entrevista, os seus feitos de glória resumem-se ao primeiro álbum de 1977, o único que se pode qualificar de "punk", e do intocável «London Calling», entre ska e rockabilly. O tríplice «Sandinista» estava repleto de títulos inúteis, afogado no dub reggae e no rap, perdendo a oportunidade de fazer um único e excelente volume, e que «Combat Rock», foi salvo pelos seus dois hits «Rock the Casbah» e «Should I Stay or should I Go». Pouco demais para um roqueiro que merecia mais do que isso. 



The Claypool Lennon Delirium: “South of reality” 

 E já que falamos há pouco dos Beatles, vamos falar sobre este estranho mas interessante segundo álbum lançado este ano, que certamente passará despercebido à maioria dos amadores em geral, mas que merece uma menção especial. Lançado em forma de álbum duplo, no formato do «Half Speed Mastering» (velocidade reduzida e, em seguida, de volta à sua justa rotação), produzido por Les Clayton e Sean Lennon, «South of reality» esconde atrás desta capa digna de Alice no País das Maravilhas, um conjunto de 9 títulos que misturam rock progressivo, e rock alternativo, sem regras predefinidas. Linhas harmônicas célticas, apoiadas a um baixo tocada por Clayton. Aqui encontramos as falhas do género que reinou durante uma parte dos anos 70: passagens musicais que haurem as suas fontes em extremos orientais. Alguns títulos recordam Tears for fears, ele mesmo, fios confessados dos Beatles, que trazem a parte pop glamourosa que salvam este álbum duplo. O «South of reality» merece atenção, pois é mais digerível do que as produções do mesmo género, e que poderá agradar sem esforço aos fãs do Pink Floyd, que gostariam de se lançar num banho psicadélico contemporâneo. 


Siouxsie and the Banshees, reedição em vinil de seus 12 albums, a banda mostrava um design acima da média. E já que a iconografia está de volta com o regresso do vinil, celebremos a reedição do catálogo da Siouxsie and the Banshees que sempre cuidou das suas capas, sempre de bom gosto, em estilos variados. O minimalismos «Join hands»; o belo degraus de azuis sobre tons de prata de «Peep shows»; dos mais expressionistas e enigmáticos «The Scream» e «Kaléidoscope», ao manierismo de Gustav Klimt do duplo ao vivo «Nocturno» e «A Kiss in the dreamhouse", na memória cubista de Hyaena, do tribal «Juju», até por fim, os muito elegantes e femininos «Superstição» e «the Rapture», o grupo nunca seguiu a aspereza da maioria dos seus discos; Cada um deles é um quadro, e claro a sacerdotisa do gótico post punk, uma artista indispensável, apesar de uma discografia irregular.


mardi 1 octobre 2019

Tropicalia World Music 7: No More Heroes

Querer visitar o mundo começa a um certo ponto. Foi a Belgica, minha terrinha que me surpreendeu como «Tropicalia Worldmusic 7: No More Heroes », dedicada em parte à cena contemporânea belga. E espere surpresas. 30 minutos, sucessos, seguidos para as próximas duas emissões de dois programas mais alternativos. Mas houve muitas outras coisas para os curiosos melomanos. Neste podcast, vamos encontrar  

 The Stranglers: No More Heroes

Hugh Cornwell & The Stranglers, The Rolling Stones, Tom Petty, Hall & Oates, Blondie, Ed Motta, Ed Motta & Marisa Monte, Trixie Whithley, Romeo Elvis, The Soul Sisters, Vaya con Dios, Wallace Collection, Machiavel, Jo Lemaire, Won Ton Ton, Stromae, Nacht und nebels, Arno, TC Matic

A arte da "canção costura"



Existem alguns compositores raros, especialmente talentosos na "canção costura". Ou a «canção puzzle», uma técnica que permite reunir pequenas partes de canções demasiado curtas para serem exploradas como uma entidade. Rascunhos inacabados, deixados numa gaveta, e que um dia retomam, para os juntar a outras partes escritas ulteriormente, e que com uma «ponte», conseguem fazer de três esboços, uma única peça concluída.


Mercury, 6 trechos para uma "rapsody" 

 Freddy Mercury (Queen), foi muito forte neste pequeno jogo, e basta citar «Bohemian Rhapsody» para ilustrar esta técnica de montagem que pode, em alguns casos, ser brilhante. Os musicólogos distinguem 6 partes na «Rapsódia» em questão.

Mercury já tinha dado provas com o «Liar» do primeiro álbum (1973), antes de atingir uma certa perfeição com «The March of the Black Queen», uma proeza do álbum «Queen II» (1974). O mesmo disco tem uma outra composição «fragmentada» com «The Fairy Feller’s Masterstroke/Nevermore», outra pequena obra-prima do género.




 The Beatles em estudio, 1968 

O exercício pode revelar-se perigoso (ou seja, pouco convincente), quando a obra combinada é feito dos esboços de compositores diferentes. No seu terceiro álbum de Queen, «Sheer heart attack» (1974), uma sucessão de três partes: uma escrita por Roger Taylor («Tenement funster»), seguida de duas de Mercury («Flick of the Wrist» e «Lily of the valley»), se encadeam bem, mas a sua sucessão não era indispensável. Haverá ainda «Millionaire waltz» sobre «A Day at the race» (1976), e talvez outras obras cujas cenas nos são desconhecidas.

Este assunto veio-me à ideia, quando sai nestes dias a versão aumentada de «Abbey road» (1969), da qual Gilles Martins (o filho do génio Georges) recebeu (como para «Sgt Peppers» e o duplo «White album»), a responsabilidade de lançar uma versão de aniversário que não seja indigesto. O talento do filho parece seguir o do pai e estas missões foram bem sucedidas até agora. Ela vai terminar com o álbum. «Let it be» (1970), que eu teria trocado com uma versão aumentada de «Revólver» (1966), que não está prevista.

«Abbey Road», o verdadeiro último álbum dos Beatles é conhecido por conter na sua face B, as «patchworks» mais fantásticas do rock que são «You never give me your money» de Paul Mc Cartney, construído em 3 partes; a sequela «Sun King»/ «Mean Mr Musterd»/ «Polythene Pam»/ «She came in through the bathroom window» co-escrita por Paul e John; e por fim «Golden Slumbers»/ «Carry that weight»/ «The end”, que ostenta a marca de Mc Cartney. Estes três conjuntos virtuosos fazem talvez «Abbey Road», o melhor álbum dos quatro músicos, que só a presença de «Octopus’s garden» e «Maxwell’s Silver Hammer» na face A enfraquece o nível do repertório. Substitua estes dois últimos por «Old brown shoe», a obra-prima subestimada de George Harrison, e «The Ballad of John and Yoko», duas canções incluídas nesta versão revisitada, lançadas em single na mesma época, E tínhamos um álbum perfeito.



Em seguida, Paul Mc Cartney irá demonstrar o seu interesse nestes pequenos jogos de composições sobre vários temas. Sobre «Ram» (1971), cria desta forma «Uncle Albert/Amiral Halsey», antes de dar um dos exemplos mais evidentes com «Band on the Run» (1973). Nestes exemplos, ele usa o método de modo a trazer uma auge que o ouvinte sabe que terá direito em algum momento da canção. E até ao último álbum «Egypt station» (2018), não pode deixar de se dedicar a este jogo como no «Despite repeating warning», que encadeia claramente 4 temas por 7 minutos, um dos quais não deixa de recordar «Live and let die» (1973), ainda uma canção (trilha sonora do primeiro James
Bond com Roger Moore), feita de várias partes, cujo instrumento apocalíptico continua a ser o apogeu da canção. Da mesma época Paulo compõe «Venus and Mars/ Rock show» que o músico aumenta de «Jet», em versão ao vivo. Com as suas linhas vocais entrelaçadas, Paulo poderia ter-nos repetido o golpe com «Silly Love song» (1976), mas ter-nos-ia privado de um delicioso exercício de coro cruzado.

Outros títulos de Paulo foram compostos em várias partes, mas isso foi o resultado de títulos incompletos, e posteriormente reformulados.

 Em conclusão, esta técnica permite-me prestar homenagem ao trabalho de Gilles Martins, que nas suas remixagens, aumentadas por algumas versões interessantes ou inéditas, fez um trabalho honroso, sem cair na armadilha de o fazer, ou de dar demasiado!

PS: Esta nova versão revisitada de «Abbey Road» sai nestes dias em caixa vinílica, Cds, e para se divertir, remasterizado em picture disc. Para quem não tivesse o álbum essencial já nas prateleiras.




dimanche 29 septembre 2019

A Margem fecham uma obra emocional e intelectual pouco atingida




Adriana Calcanhatto aborda "a margem" sem deixar o ouvinte respirar e preparar-se com esta corcunda para os ruídos modernos de Rafael Rocha, e para a melodia surpreendente. Chegando tarde em São Paulo, eu aprendi que este álbum que vê a cantora nadar, ou afogar-se no meio de lata e lixo seria uma combinação de novas criações, e de títulos rejeitadas de Maritmo (1998) e Maré (2008) as duas vertentes deste triptico marítimo. Uma água suja pelo homem, eterno culpado de danos naturais que Calcanhotto denuncia. 
Mas, não me apetece deter-me sobre os textos, por muito importantes que sejam, pois já estou cansado de falar do artista intelectual, porque já Os Ilhéus (Wisnik/Cicero) e Dessa vez revela a beleza clássica, mas que transmite emoções às ondas de choque sempre esplêndidas. Um esplendor que eleva a canção Tua, dada a Betânia, cantada com um timbre no limite da sensibilidade, que iguala a soberba interpretação da Baiana. 
Encontra-se uma canção surpreendentemente deixada de lado composta por Pericles Cavalcanti, Marés- o principe das marés. Era pra ser, outra canção dada a Bethania em 2016, que afirma-se melhor reverenciada pelo som cristalino das guitarras portuguesas. 



A surpresa que me atinge mais, além de tudo (e é devido às diferenças de épocas das canções), são as melodias que soam como clássicos do melhor Robero Carlos e a inevitável modernidade que veste Ogunté, e a digitalização, como um rap de um novo género (que poderia muito bem dar ideias a Fernanda Abreu), sem que a homogeneidade do disco seja atingida. Só Adriana era capaz de tais audácia, impondo-se sem pudor. 

Então eu fico ou vou. Ou me mudo para Coimbra entre os batinos pretos estudantinos. A trilogia ficará gravada entre as obras mais comoventes da cantora. Comovente e, sim, de uma inteligência que só a ela pertence

Barbara Eugênia: "Tuda", uma evoluçao sempre sedutora



Sempre sedutora nas suas interpretações, sem uma renovada vontade de se distinguir a qualquer preço dos seus colegas paulistanas, os meus dois anos longe do Brasil (devido a um certo cansaço do «sempre o mesmo som») Eu não culparia a Barbara Eugênia. Pelo contrário, a sua carreira continua a ser rebuscada, sempre próxima do agitador cultural Tata Aeroplano. E eu me lembro de um show no Oi Futuro Ipanema (RJ) marcante, que eu devo talvez uma das minhas melhores fotos. Além disso, o que seria em retrospectiva, um "super" grupo, Dona Zica, que viu há muito tempo, reunir três das mais talentosos artistas femininos de São Paulo, avec Barbara, Anelis Assumpçao e Iara Renno, Era o início do que as mulheres se prepavam a provar-nos. A bela capa de Tuda revela uma sonoridade mais electrónica, apoiada por percussões que distinguem «Tuda» da música de muitas produções («Querencia» com Iara Renno ), precedido por um duo funky com Zeca Baleiro («Bagunça»), e que antecipa o delicioso «Por la lua y por tierra», outro duo com Onda Vaga. Nunca aborrecido, a única censura seria uma utilização abusiva da reverberação que torna mais robótica a voz de Barbara (talvez o objectivo pretendido), que se conheceu mais «humana» e feminina. Mas nada que não faça’ Tuda’ abaixo das produções atuais. Brilhantes passeios de guitarras em todo o álbum, de Tata Aeroplano, pelo menos, eu 
sadivinho

samedi 28 septembre 2019

Pequenas reflexões sobre João, a bossa e o samba



 Joao Gilberto (1929-2019)

A morte de um símbolo musical brasileiro como João Gilberto, há algumas semanas, não teve qualquer repercussão, como se poderia imaginar. 
Isso nos leva a pensar sobre esses dois estilos, o Bossa Nova e o Samba, associados ao Rio de Janeiro, e perguntar por que um dos dois estilos mantém uma boa saúde (e felizmente!), enquanto o outro aparece definitivamente no museu musical brasileiro, sob uma camada de pó. E perguntar-se por que, paradoxalmente, fora do Brasil, a Bossa ultrapassa significativamente o samba. 

1. A Bossa nova no estrangeiro 

Chet  Baker (1928-1988)


- Visto do exterior, o Bossa constrói-se sobre fundações hamónicas americanas, o jazz, mesmo que o seu ritmo de base seja o samba, de origem africana. Em 1964, a bossa ganhou um estatuto internacional nos Estados Unidos, não só graças a Stan Getz, Astrud Gilberto, mas também a outros grandes nomes como Gerry Mulligan, Bill Evans, cantores como Ella Fitgerald, Chet Baker e, claro, Frank Sinatra. Com a ajuda de grandes nomes brasileiros com Jobim, João Gilberto, ou Sergio Mendes. O formato «canção» das corcundas, -voltaremos a ele-, assimilaremos o estilo com mais facilidade. - A recuperação da bossa pelo mundo comercial tornou-o comum, e seria interessante estudar o desenvolvimento de cada um, num ambiente bossa, cool, de volume pouco perturbador, o que lhe valeu o qualificativo de música de elevador. Um clima tudo menos estressante, em uma América em plena ascensão econômica. Você está relaxado, então você está consumindo. 
Musicalmente, as harmonias do estilo são, no entanto, muito mais complexas do que as do samba. 

- Os americanos, sempre imaginativos comercialmente, têm um tempo qualificado, nos anos 60, tudo e qualquer coisa de «bossa nova», do frigorífico à moda, até criar uma dança inexistente no Brasil. 

 - Desde o final dos anos 60, numerosos movimentos musicais assimilaram a bossa e continuam a fazê-lo. Mesmo a Inglaterra, foi conquistada pela febre e grupos como o The Style Council, Everything but the Girl, Sade ou Matt Bianco, adotaram sua estética musical. 
 -Outros ambientes na moda, desde os anos 80, como a música Lounge, se casavam perfeitamente com esta busca de clima (mais do que musical) 

 -O mistério permanece, mas o mercado japonês é enorme, e muitos artistas brasileiros corcundas vivem uma carreira independente de sua pátria. 

 Sade Adu, bossa nada feia...

-Os DJ's ingleses, que são também a causa do regresso do vinil, redescobriram pela sua curiosidade artistas como Marcos Valle, Joyce Moreno e outros, dando-lhes uma segunda vida. 
- A economia de médio (voz/guitarra), facilitou a integração do estilo nos bares, nos restaurantes, mas mais uma vez, mais como músico de ambiente 

 -Apesar de tudo, justiça seja feita, algumas canções como «A Garota de Ipanema», «Samba do verão», Desafinado», «Maria Ninguém”, e algumas outras foram clássicos musicais autênticos. -Outros fatores provavelmente ainda têm sido a base do predomínio da bossa…. Você podem comentar a vontade… 

2. No Brasil, por razões muito diferentes, o samba raramente perdeu energia. E é fácil de explicar. 
 - Sim, o ritmo da corcunda é o ritmo do samba, mas as suas origens são muito diferentes. Da Africa, a «semba», desceu de Salvador da Bahia para o Rio, no final do século XIX, levada em viagem pelas classes mais pobres, até aos Morros cariocas. O samba é, portanto, um estilo popular e secular. 

 Bossa no apartamento: aqui com Roberto Menescal

-A bossa nova, pelo contrário, nascida da criatividade de alguns músicos criativos, criou-se, como se sabe, nos apartamentos de Copacabana, por volta de 1958, e era interpretada de forma intimista por essa razão. 
 - Como disse antes, a corcunda é uma música de canções. Jovens de classe média alta, enquanto as rodas de samba cantavam em pleno pulmão, ao ar livre, cerveja à moda, e davam-lhes muitas vezes um «timing» improvisado. 

- Isso não significa que o musico de samba seja um músico menos talentoso, como prova o choro, estilo bastante instrumental que requer grande destreza. Mesmo se grandes sambistas (que vinham às vezes do choro), como Cartola (foto), Nelson Cavaquinho ou Paulinho da Viola criaram entre as mais belas páginas do samba, esta é uma variante não exportada, e a visão do «gringo» se restringe a um ritmo frenético hipnótico, que caracterizam os sambas-gravados, ou seja, os sambas de concursos de carnaval, percebida pelos estrangeiros como pobre musicalmente. São Paulo também conheceu grandes autores de sambas de clássicos pouco conhecidos fora do Brasil. - Mais uma vez, o mistério permanece com os japoneses que possuem muitas escolas de sambas. - Considera-se a idade de ouro do samba entre 1920 e 1930, por vezes conhecido sob a forma de «marchinha», cujos textos muitas vezes humorísticos ou mesmo marotos tinham dificuldade em atravessar a fronteira por causa da língua. As primeiras escolas de samba nascem nesta época. - Para ser popular e festivo, todos podem improvisar músicos e participar de um «pagode». 



Um tambor, e é samba até não ter horas... 

 Um barril de metal serve, em suma, e é difícil imaginar um grupo de músicos dispostos a celebrar cantando corcundas novas toda a noite, cantando “Corcovado", tal Candeia, até perder a voz... 
 - Depois de algum tempo artistas de bossa nova, sentiram uma vontade de fazer evoluir o género. Primeiro misturando-se com os sambistas das favelas (como Nara Leão); depois politizando os textos no início da ditadura de 1964. Era o fim do amor, dos sorrisos, das flores e do som da indolência. 

 - Finalmente, enquanto os pilares da corcunda não encontram seguidores, as ondas de novas gerações do samba sucedem-se com talento. Além disso, quase cada estado possui as suas características relativas aos elementos do samba (ritmos, harmonias, instrumentos), enquanto a bossa continua a ser um estilo estático. Conclusão: estas observações fazem sentido, mas por que razão, ao contrário do jazz, a corcunda manteve-se hesitante. Não há dúvida de que historiadores como Cravo Albin, Nelson Motta, Rui Castro, Sergio Cabral e outros têm pontos de vista a expor, e aí não me coloco como jornalista, mas como um curioso da história da música. O facto de o Brasil ser um país de festa parece-me muito fraca resposta num país que possui um número de virtuoses de música popular para além da média, e não estou satisfeito com a eterna dicotomia «música erudita» e «música festiva». Quanta luz, quanta alegria, quanto ritmo, não se encontra em Egberto Gismonti, Hamilton de Holanda ou Hermeto Pascoal….